terça-feira, 11 de julho de 2017

Galeria Alfinete. 2017

Bia Medeiros: per-fura, per-muta, per-verte.
Galeria Alfinete. Junho de 2017.

A exposição Bia Medeiros: per-fura, per-muta, per-verte, na galeria Alfinete, traz um substrato da obra de Bia Medeiros. Nos anos 80 e 90 da gravura (per-fura) à performance (per-forma: intensidade e movimento do corpo que forma), nos anos 2000, coordenadora do Corpos Informáticos, da performance, agora realizada com e no grupo, ao desenho íntimo (per-muta). Recentemente Bia Medeiros traz séries eróticas que vertem.

Bia Medeiros começa a fazer gravuras e composições urbanas a partir do Parque Lage, RJ. Nos anos cinza, se muda para Paris, intensifica essa produção e passa a realizar performances com Suzete Venturelli. Em 1990, se muda para Brasília onde forma o grupo de pesquisa Corpos Informáticos: videoarte, webarte, performances, composições urbanas. O grupo tem enormes proporções na sua vida artística mas seu trabalho individual per-segue. Em todo o per-curso, um sutil erótico per-fura, per-muta, per-verte.

Paralelamente à exposição Bia Medeiros: per-fura, per-muta, per-verte, Corpos Informáticos abrirá dia 14 de junho retrospectiva de seus 25 anos no Museu da República,  Brasília.

Galeria Alfinete
endereço: CLN 103, bloco B

abertura: 10/06 às 18 horas

L'act est louche et ment(al). paris 1985



clitoris master

Para Márcia X









Grito e Performance Galerie Diagonale, Paris, 1983.

Materfagia, Performance, Rio de Janeiro, 1985.









Paris, 1985.

quarta-feira, 22 de março de 2017

traços, trecos, troços, trunfos



traços, trecos, troços, trunfos

Que traços, trecos, troços, trunfos levas?
Aonde os leva?
(P) o (R) que carregas tantas malas,
teus miolos ruídos neste tempo esticado?
Miúdos são teus olhos de perspectiva pouca.
Louco temer agora e sempre deflagrado.
Muito bonito tanta poética mascarando sentimentos 
se arrebentando para lá dos dedos se desandando de um carinhoso mancomunar.

Que(m) seduzes senão teu próprio eu acreditando nesses mesmos traços,
trecos, troços, trunfos, tripas e almôndegas?
Almôndegas e mostarda.
Venha cortar meu barato que eu estou te cantando com poros peles, pelos,
arrependimentos e distúrbios positivos.
Uma releitura, um retoque é exatamente o que transforma o texto em literatura.

Porque não teríamos o direito de retocar os momentos
e vida transformar em obra de arte?
O que torna algo em arte é exatamente esta capacidade/possibilidade/permissividade 
de uma pós-leitura, de uma pós-reflexão/análise/modificação?
E a perfeição seja teu conceito de perfeito/não perfeito,
desfeito, anti-feito, neo-feito.

Quem ousaria penetrar meus traços, "trepos", trincos, troncos, trâmites?
Porque tanta vírgula, vaga tormenta, se incrustando
como objetivo no meio do que está cuspindo tanta ordem de (des)ordem?
Que lacunas são estas que se se criando vão nos arremessando contra outros espaços e sempre esta correria em prol de poder engatar a quarta?
E sempre e novamente sempre curvas e mais curvas e sinais vermelhos. Argh!

Que polícia pouca criastes para me censurar?
Quero infringir sinais vermelhos mesmo que Caetano seja cartesiano.
Quero infringir contra-mãos sobretudo as minhas aceitando as dos trecos dos outros
neutros nossos todos.
Não será nesta mesma medida que limitamos os ataques externos a nossos traços,
trecos, tripas, troços, trunfos tão limitados?
E vamos levando fardos cada vez mais "respeitáveis"
O que ergues e negas, 
o que mentes desmente,
diria melhor, decrepita em tantas veias amargas?
Porque são elas tão importantes?
Te bastas?
Bosta, besta, bicha, bunda e outros corolários tipo: Basta!

E pondes, e pondes, e pondo, no arremate,
reencontro o troco,
a única mataria a que se reduz todo esforço.
Forço, flagro, finjo e traço porque nestes dedos, lápis e
lapiseiras não faltaram.
O que fizestes de tanta tinta derramada senão ossos?
Queime-os agora se coragem vos resta,
pois o tardar dos anos vão se tornando poeira
e neste tempo consumes embora creias ainda que algo guardastes.

Desabafe, estou te auscultando.
Não, não precisa falar.
Só quero teu olhar sem palavras
e dicionário não há.
Queria te ver feliz de tudo aquilo que não há em meus trapos,
terços, tripas, tronos, truques.
E se eu fosse tu e se acreditasses nos desenrolares da vida,
algum sorriso ou nó.
Alimente-se do meu pouco pó.
Estou te (me)-nos-amando.
E pronta para sofrer?

No cálculo racional, a porta de saída;
na logística, a escapatória;
na tática, a retirada
e todo este treinamento de abandono de trazos, trecos, tripas e trunfos.
Nervos, para que vos quero?
Porque tanta polícia para vigiar-te?
O que temes em tu mesma que a pulso exterior invade?
O que negas senão teus próprios trunfos,
metade de restos, diabólicos trazos incoéis,
inúteis trecos e uma pá de tronos?
Porque os levas se os nega?
E minha boca úmida do outro lado não foi capaz de gravar tua sentença:
_ "Me liga amanhã?"

Rio de Janeiro
Provavelmente 1990




terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

CORPOS INFORMÁTICOS: "ESQUECI MEU GUARDA-CHUVA" Maria Beatriz de Medeiros / UnB / Corpos Informáticos

25° Encontro Nacional da ANPAP. 
Porto Alegre, RS, 2016. A arte : seus espaços e/em nosso tempo Anais [recurso eletrônico] do 25o Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas, setembro de 2016, Porto Alegre, RS ; [Nara Cristina Santos ... [et al.] (orgs.)]. – Santa Maria : ANPAP : UFSM, PPGART : UFRGS, PPGAV, 2016. 1 e-book ISSN 2175-8212


RESUMO 

Corpos Informáticos: "Esqueci meu guarda-chuva" trata de performances de rua realizadas pelo Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos durante os anos 2015 e 2016. A análise é feita tendo como ponto de partida um texto de Jacques Derrida sobre uma anotação de Nietzsche: "Esqueci meu guarda-chuva". Nos indagamos sobre o guarda-chuva entendido como arte, como ser e como grupo. PALAVRAS-CHAVE Corpos Informáticos; performance; guarda-chuva; Jacques Derrida.

http://anpap.org.br/anais/2016/comites/cpa/maria_beatriz_medeiros_final.pdf

http://anpap.org.br/anais/2016/

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Anos 80, mais especificamente, 1984.








 Paris se mexe, New York tem ciúmes.
Edição: Autrement/Le Monde.


 27/09/1984. Galeria Jean et Jacques Donguy. Paris.


 Nossos corpos rasgados pela problemática das sociedades ditas subdesenvolvidas, utilizando a publicidade pela imagem corporal para mostrar nossa felicidade unidirecional. O desvio dos cartazes publicitários será de ruminar seu corpo simbólico e nós nos comeremos carnalmente e sexualmente. "Comportamento exploratório, montanhas desordenadas de cartazes publicitários". A fome volta sempre e nós somos muito numerosos.

 Bia Medeiros e Suzete Venturelli.



Le Monde Aujourd'hui. setembro 1984. 




"Suzete Venturelli e Bia Medeiros expõem a solução delas para o problema da fome: Antropofagia". 



APP na Galeria Roch. 15 de dezembro de 1984.